Se eu tivesse uma palavra te dava passarinho amarelo,
em troca do seu canto na porta que fizeste abrir dentro de mim.
Tenho medo da luz.
Fecho as portas, as janelas, e escondo por entre os dez passos que nos separam.
Um dia palavra a reclusa continuará reclusa.
Assim a vida se faz.
No silêncio que guarda mistérios, não há nada de mais.
Apenas mistérios.
A necessidade de uma palavra minha, para mim, por mim, e escondida de mim. Apenas uma palavrinha, que na tentativa de matar uma dor, faça nascer outro sentimento qualquer. Um sentimento. Me falam de um silêncio de quem fez amor. Amor de verdade. Aquele amor que nunca fiz e sei qual é. Um amor essencial, universal, que sendo incondicional ainda não pude alcançar. Desculpe, sou da geração do apego. Dos bens materiais exacerbados. Da necessidade de afirmação, de trabalho em prol de...Desculpe, ainda não tive tempo de amar, quem sabe daqui há algumas horas, tenho um espaço vago na agenda. Ah, não posso, meu ônibus já vai passar. Amor, voce pode ficar para um dia desses de chuva? Em que tudo já está caótico mesmo, nada funciona na cidade de São Salvador, e a única vontade que te consola é a malemolência geral. Tenho medo de voce tomar tempo demais, e um dia quando resolver partir, eu perceber que algum espaço vai permanecer vazio. Como assim nasceu. Vazio.
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